
Eu não quero admitir que estou errada, mesmo sabendo que isso é possível. Aconteceu tudo em tom de brincadeira, até eu abrir a boca e falar algo “pesado”. Mas foi pesado pra quem? Porque, enquanto eu ouvia que meus filhos não puxaram nada de bom de mim, e sim de outra pessoa, todos estavam rindo. Então era engraçado dizer que eu, como mãe ou como ser humano, não tenho nada de bom a oferecer? Principalmente aos meus filhos? Por exemplo, se Alice é uma boa aluna, então ela “puxou” a pessoa X da família, e não a mim.
...
Talvez eu realmente não tenha sido uma boa aluna. Nem mesmo uma boa filha.
Essas coisas sempre acontecem comigo. Todos estão sempre brincando, fazendo suas piadas e tirando sarro de mim. Mas, aparentemente, quando eu respondo, é algo que machuca, rs. Irônico? Ou será que sou eu que sou sem noção? Será que sou sensível demais?
Segundo o meu marido, meu senso de humor é ótimo e bem parecido com o dele. Isso às vezes me deixa um pouco pensativa, porque, quando ele faz a piada é legal. Quando eu faço, não é. Talvez o problema nem seja a piada em si. Talvez seja quem está fazendo a piada e, principalmente, quem está do outro lado dela. Porque eu consigo rir de mim mesma. Consigo ouvir coisas sobre mim, fazer piada com os meus próprios defeitos e de vez em quando reconhecer quando alguém tem razão. O que eu não consigo entender é por que existe uma diferença tão grande entre poder rir de mim e eu poder rir dos outros. E talvez seja justamente aí que a minha culpa está: eu achei que tinha liberdade para brincar dos dois lados. Achei que, se eu conseguia ouvir, também poderia falar. Só que, aparentemente, não funciona assim.
Então fico tentando entender qual é o limite. Até onde eu posso brincar? O que é engraçado e o que deixa de ser? Quem decide isso? Porque, quando a brincadeira é comigo, parece que eu deveria simplesmente rir. Quando a brincadeira parte de mim, parece que eu deveria ter mais cuidado ou somente ficar quieta.
...
Talvez eu tenha passado do limite.
Talvez tenha tocado em um ponto que não deveria. Talvez eu devesse simplesmente reconhecer isso, pedir desculpas e deixar para lá. Talvez... Mas reconhecer que errei não apaga o fato de que algumas coisas também me machucam.
Eu acho que é isso que mais me incomoda. Não é exatamente a culpa. É a sensação de que, no final, eu sempre acabo sendo a pessoa que exagerou, que entendeu errado, que foi sensível demais ou que não soube brincar. Enquanto isso, todo mundo segue rindo. E eu fico aqui, tentando descobrir em que momento a brincadeira deixou de ser engraçada.
Marcadores: BEDA, blogagem coletiva, entreblogs, pessoal


Este blog existe desde 2010, porém só foi ao ar no dia 22 de Outubro de 2014. O nome Nasetet vem do apelido que a autora usa pra tudo no mundo da internet: NA7T. Se pronuncia nat, mas seus amigos não acharam isso e então eles começaram a chamá la de na-sete-t, e é assim que se fala até hoje. O blog é pessoal e nele tem de tudo um pouco, até uns hiatus sem aviso prévio de vez em quando.









