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Hoje completou duas semanas que não estou falando com uma pessoa bem próxima, então resolvi fazer o que sempre faço quando isso acontece: respeitar o silêncio que me foi imposto. Talvez, e é bem provável, que tenha sido eu quem passou dos limites dessa vez, mas, como eu disse ao meu marido: “É uma questão de perspectiva”. Ele não argumentou, apenas disse que eu peguei pesado. Então, vou pegar essa culpa, colocar junto com as outras e seguir em frente.


Eu não quero admitir que estou errada, mesmo sabendo que isso é possível. Aconteceu tudo em tom de brincadeira, até eu abrir a boca e falar algo “pesado”. Mas foi pesado pra quem? Porque, enquanto eu ouvia que meus filhos não puxaram nada de bom de mim, e sim de outra pessoa, todos estavam rindo. Então era engraçado dizer que eu, como mãe ou como ser humano, não tenho nada de bom a oferecer? Principalmente aos meus filhos? Por exemplo, se Alice é uma boa aluna, então ela “puxou” a pessoa X da família, e não a mim.

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Talvez eu realmente não tenha sido uma boa aluna. Nem mesmo uma boa filha.

Essas coisas sempre acontecem comigo. Todos estão sempre brincando, fazendo suas piadas e tirando sarro de mim. Mas, aparentemente, quando eu respondo, é algo que machuca, rs. Irônico? Ou será que sou eu que sou sem noção? Será que sou sensível demais?

Segundo o meu marido, meu senso de humor é ótimo e bem parecido com o dele. Isso às vezes me deixa um pouco pensativa, porque, quando ele faz a piada é legal. Quando eu faço, não é. Talvez o problema nem seja a piada em si. Talvez seja quem está fazendo a piada e, principalmente, quem está do outro lado dela. Porque eu consigo rir de mim mesma. Consigo ouvir coisas sobre mim, fazer piada com os meus próprios defeitos e de vez em quando reconhecer quando alguém tem razão. O que eu não consigo entender é por que existe uma diferença tão grande entre poder rir de mim e eu poder rir dos outros. E talvez seja justamente aí que a minha culpa está: eu achei que tinha liberdade para brincar dos dois lados. Achei que, se eu conseguia ouvir, também poderia falar. Só que, aparentemente, não funciona assim.

Então fico tentando entender qual é o limite. Até onde eu posso brincar? O que é engraçado e o que deixa de ser? Quem decide isso? Porque, quando a brincadeira é comigo, parece que eu deveria simplesmente rir. Quando a brincadeira parte de mim, parece que eu deveria ter mais cuidado ou somente ficar quieta. 

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Talvez eu tenha passado do limite. 

Talvez tenha tocado em um ponto que não deveria. Talvez eu devesse simplesmente reconhecer isso, pedir desculpas e deixar para lá. Talvez... Mas reconhecer que errei não apaga o fato de que algumas coisas também me machucam. Eu acho que é isso que mais me incomoda. Não é exatamente a culpa. É a sensação de que, no final, eu sempre acabo sendo a pessoa que exagerou, que entendeu errado, que foi sensível demais ou que não soube brincar. Enquanto isso, todo mundo segue rindo. E eu fico aqui, tentando descobrir em que momento a brincadeira deixou de ser engraçada.

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postado por Nat às 23:59 • 16 agosto 2026 • 0 Comentário/s