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Como não olhar para trás se, às vezes, o passado ainda resolve bater na minha porta?

Há alguns anos escrevi sobre isso. Sobre escolhas erradas, pessoas que eu queria esquecer, lembranças que insistiam em aparecer e aquela sensação de que eu não conseguia simplesmente viver o presente sem ser puxada de volta para o que já tinha acontecido.

Naquela época, parecia que o passado tinha criado uma casa dentro da minha cabeça e se recusava a ir embora. Eu queria seguir em frente, mas ao mesmo tempo ainda ficava presa em histórias que não aconteceram, em pessoas que já tinham ido embora e em momentos que eu gostaria de ter vivido de outra maneira.

Hoje, olhando para aquele texto, percebo que muita coisa mudou. Eu mudei. Algumas lembranças continuam existindo, claro, mas o passado não desaparece só porque decidimos fechar a porta. Mas aprendi que lembrar não significa precisar voltar. E que sentir saudade de alguma coisa não significa que ela ainda tenha lugar na nossa vida. Talvez eu tenha passado tempo demais tentando expulsar os meus fantasmas, quando o que eu realmente precisava era aprender a conviver com algumas lembranças sem deixar que elas decidissem por mim.

A vida continuou acontecendo. Conheci pessoas, vivi momentos que naquela época eu nem imaginava e construí várias histórias novas. Algumas foram boas, outras nem tanto — porque aparentemente a vida nunca perde a oportunidade de dar aquele bom e belo chute na bunda. E acho que é justamente por isso que gosto de reler esse texto. Ele me lembra de uma versão minha que acreditava que precisava esquecer o passado para conseguir viver o presente.

Hoje eu penso diferente. Eu não preciso esquecer. Só preciso entender que o passado pode bater na minha porta quantas vezes quiser, eu só não sou obrigada a abrir :)

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postado por Nat às 23:09 • 27 agosto 2026 • 0 Comentário/s