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Não era frequente eu lembrar de você, do seu rosto, do seu sorriso, do seu olhar e dos seus gestos. Eu estava vivendo normalmente, do meu ponto de vista, sem sentir culpa, sem saber o quanto você era importante. Mas existe um dia no ano em que não adianta eu ir para outro lugar: eu me lembro de você. De tudo o que passei ao seu lado. Então eu choro e fico triste por saber que você não está mais aqui, ao meu lado.
Hoje lembro bem pouco das nossas brincadeiras. Quase nada me vem à mente. Tenho que pedir ajuda aos outros para conseguir lembrar o que vivi com você e até imaginar como teria sido passar mais tempo ao teu lado. Imagino como seria a sensação de um sopro no ouvido para me acordar e dizer: "Vem tomar café...". Depois eu pediria mais cinco minutos na cama. Então iria até a cozinha e o veria tomando café com um sorriso no rosto, um sorriso do qual já nem me lembro mais.
Confesso que há outros dias em que sinto sua falta, mas o que mais dói é esse. Confesso também que tento esquecer você, porque não aguento sofrer. Você era importante. Ou melhor, ainda é! Por que me deixou? Eu pedi tanto para que não fizesse isso comigo. Eu era tão jovem que, quando você se foi, não entendia o que estava acontecendo com todos ao meu redor. Eu só ficava ali, olhando todos tristes, sem você para poder abraçá-los.
Olha, eu não estou te culpando. Pelo contrário. Só queria que você soubesse que, apesar do tempo, a saudade nunca encontrou um jeito de ir embora. Tudo o que eu queria era tomar mais um café da manhã com você.

Com saudade,
Nat.

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11. Carta para uma pessoa falecida com a qual gostava de falar

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postado por Nat às 17:03 • 07 outubro 2026 • 0 Comentário/s